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Variações sobre o prazer
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- Criado em Sexta, 10 Fevereiro 2012 12:56
- Escrito por Asmayr
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Esta semana tive a oportunidade de ler o livro de Rubem Alves, Variações sobre o prazer: Santo Agostinho, Nietzsche, Marx e Babette (Ed Planeta, 2011). Bem ao estilo de Rubem Alves, os textos são tecidos – não resisti à redundância – perpassando aforismas de poetas, filósofos e críticos da “ciência dura”. O resultado não poderia ser um texto hermético, ao contrário, uma profusão de horizontes. Boa parte do texto assenta-se sobre o pensamento de Nietzsche, além de um capítulo inteiro dedicado a ele. Fragmentos de Barthes, Fernando Pessoa, Adélia Prado, Guimarães Rosa, Bachelard, Blake, Borges e Garcia Marques são incorporados ao texto, confundindo-se com a voz do próprio Rubem Alves.
O sumário nos oferece uma boa visão sobre o conteúdo – os colchetes são observações minhas:
Prefácio
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Por que não consegui terminar este livro? [O original era Contra o método. Neste tópico RA justifica a metodologia adotada, escapando das amarras da razão formal, ao mesmo tempo em que apresenta ao leitor os caminhos da poesia, culinária e corpo]
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Hoc est corpus meum
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As metamorfoses da velhice
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O esquecimento: Barthes
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Dos saberes aos sabores [tensão entre as concepções de saber (logos) e sabor (sentidos)]
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Os saberes do corpo
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O corpo: ele sabe sem saber
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Variações sobre o prazer [tensão envolvendo concepções de prazer e alegria]
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Primeira variação: teologia [dualismo entre as feiras de utilidades e fruição, seguindo a dicotomia proposta por Agostinho]
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Segunda variação: filosofia [conceito de vontade de potência e recusa da razão formal em favor das “razões instintivas” a partir de Nietzsche, resgatando o dionisíaco]
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Terceira variação: economia [Marx e a releitura do trabalho e transformação da natureza]
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Quarta variação: culinária [Babette e Tina (A festa de babette e Como água para chocolate) estabelecem um paralelo entre a arte culinária (sabor) e o uso da razão (saber), privilegiando o desejo e a alegria a partir do sonho culinário]
Post-scriptum
Na minha perspectiva, as notas ao longo do livro e as inserções de fragmentos de outros pensadores/poetas oferece um horizonte bastante interessante, capaz de oferecer subsídios para uma crítica mais contundente à razão estéril da pós modernidade, bem como às práticas educacionais.
Este é um livro que pode ser lido a partir de qualquer ponto, ou como diria RA “saltando entre os picos das montanhas”, sem precisar fazer todo o caminho por terra. Digressões sobre psicanálise, poesia, música e filosofia, são recorrentes ao longo do texto. Uma boa leitura!

